Recentemente foi autorizada aqui em Noronha a matança das Garças. Elas foram chegando devagar, passavam alguns dias e depois continuavam sua trajetória. O caso é que Noronha é Noronha e elas viram que tinham Mabuyas, (um lagarto endêmico), camundongos, (que são muitos), e poderiam ficar por aqui, tem comida, é Brasil e é uma unidade de preservação. Mas o tiro saiu pela culatra e os dias das Garças estão contados. Já mataram muitas. O motivo que alegam é que as Garças colocam em risco as aeronaves que aqui pousam. Coisa aliás, que os Mumbebos, Albatrozes e outras aves que aqui habitam colocariam também. Dizem os estudiosos que já tentaram de tudo, menos os vôos noturnos, pois nessa hora todas as aves estariam dormindo e as aeronaves pousariam com segurança em relação a choques com as aves, embora não temos ILS no nosso aeroporto, (instrumento de precisão para pouso). Mas o caso é outro. O Pombo Correio.

Recentemente um amigo meu, o Marenga, encontrou um Pombo Correio que talvez por cansaço resolveu da uma parada na ilha. Talvez por saber que a ilha é uma unidade de conservação e ali ele teria sossego ate se recuperar e partir de volta de onde saiu. O Pombo é da Espanha, pelas informações que vimos numa anilha em uma das pernas. Marenga entrou em contato pela internet e descobriu que existem famílias tradicionais que criam Pombos e fazem torneios de autonomia de vôo. O Pombo ao saber da matança das Garças entrou em pânico, e corre da autorização federal, ele foge da federal e paralelamente a Policia Federal se instalou aqui, mas isso é só uma coincidência.

O que fazer com o Pombo Correio?

Aguardamos sugestões.

Marenga e Ju Medeiros

ONTEM FUI DORMIR CEDO
SONHEI QUE O MUNDO MELHORARIA
WASHINGTON JÁ NÃO TINHA MAIS SEGREDOS
AFEGANISTÃO JÁ É POESIA
LONDRES NEM CASSETETE É PRECISO
DITADURA JÁ É PEÇA DE MUSEU
OLHOS NOS OLHOS DO EX-NARCISO
LEMBRANDO PRA TODA JULIETA HÁ UM ROMEU
ENTENDI A EXPANSÃO DO UNIVERSO
NA HORA QUE O SONHO APROFUNDOU
INCITE É A UNIÃO DOS VERSOS
NO SIMPLES DO EU SOU QUEM SOU
ENQUANTO NUM GRÃO DE AREIA
MASTIGO AS PALAVRAS EM PENSAMENTO
AMOR NA ILHA DAS SEREIAS
CONFUNDI O FATO COM O MOMENTO
E RE-INAUGURO A PALAVRA CANTADA
DO SONHAR DE TODO POETA
OBRIGANDO A( COR-DAR) A MADRUGADA
PINTANDO O ALVO, A MÃO E A SETA.
INSISTI MAIS NO SONHAR
MESMO SABENDO QUE JÁ É DIA
E VI A ESTRELA DO NORTE ILUMINAR
NO CALOR DO CORAÇÃO DE MARIA
TE TIRO O POETA
E TE TRANSFORMO EM POESIA
LENINE.

O ano era o de 1976. Minha mãe tinha comprado uma Brasília amarela (pura coincidência com a futura musica dos Mamonas). Eu estudava no Esuda, um colégio do Recife com uma nova metodologia de ensino. Fazia o científico. Para quem não viveu esse tempo, é o que representa hoje o 2º Grau. As provas eram aplicadas aos sábados e somente aos sábados. Bom, vamos a história;
Como quase sempre lá vai eu meio que atrasado para a prova, saí de Olinda onde morava e peguei a estrada que leva ao Recife, havia pouco tempo que a lei dos 80Km/h tava valendo. Eu estava a uns 80 ou 100 Km/h, e olha que isso era muita velocidade na época. Não que hoje não seja, mas o caso é que a qualidade de segurança dos nossos carros eram de carroças, como falava nosso ex-presidente collorido. De repente, não mais que de repente mesmo!!! Aparece um policial do trânsito e faz sinal de longe para eu parar, na realidade, para eu ir parando, e para não frear bruscamente, eu fui pisando no freio aos poucos e parei um pouquinho distante do policial, o suficiente para ele vir andando e ao mesmo tempo se “arretando” (ficando puto da vida em Nordestês). Ele para e antes mesmo d’eu começar a falar ele introduz o famoso texto: Bom dia? Habilitação, Documento do Veículo e Identidade do Condutor, (espaço de 15 segundos), - Por favor. Eu com as pernas tremendo, embora só eu sabia, fui fazendo a coleta dos documentos exigidos e entreguei para ele com uma cara de quem queria ser muito amigo, companheiro, sobrinho, primo, parceiro no futebol, etc. Ele olhou, foi atrás do veículo, confirmou a placa e voltou ao meu lado e falou; O Sr. ta com muita pressa né? Eu pensando que ali terminaria meu envolvimento com ele, disse - Tô sim senhor, é que tenho uma prova e estou muito atrasado. E ele, já com uma cara de multa perguntou, e para quê que o sr. quer estudar? Eu teria muitas respostas se eu pensasse um segundo antes de falar, poderiam ser;
1 - Para me tornar um advogado e melhorar nosso País.
2 - Para me formar em medicina e salvar muitas vidas e poder ajudar os mais necessitados.
3 - Para….. e para…. etc.
Mas confiei na minha incrível mente criativa espontânea e rápida, e a frase resposta foi exatamente essa;
Para não ser guarda de trânsito feito o senhor.
Bom, nem precisaria contar o restante, mas em consideração aos leitores, vamos lá.
Ele pediu para eu descer do veículo e fez uma radiografia completa. Luz alta e baixa, buzina, extintor de incêndio, luz de freio, setas, pneu de reserva, triângulo, chaves de roda, limpador do pára-brisa, acho que somente isso tudo. e ainda ganhei uma multa de excesso de velocidade e desrespeito a autoridade. A sorte era que a brasília era zero KM, e tava tudo nos trincks. E o pior foi que a multa naquela época não iria para a carteira do condutor e sim diretamente para o veículo na sua futura renovação de emplacamento. Para surpresa da minha querida mãe, mas essa história eu conto depois.

O Cartão de Crédito
 

 

Em 2001 eu tinha viajado ao Rio de Janeiro para gravar um novo CD. Desta vez fiquei na casa do meu amigo irmão Pierre Aderne, que estava com uma gravadora que se chamava Panela Music, embora isso nada tenha com a historia, é só um comercial de graça pelo serviço de graça que ele fez pra mim também. Um belo dia eu ligo para o banco para fazer uma transferência de dinheiro para uma pessoa, que nem me lembro mais o nome. Após uns vinte minutos ao telefone e já concretizada minha solicitação, a moça da linha perguntou se eu poderia ceder 5 minutinhos do meu precioso tempo. Falei que sim, ela falou um momento Senhor E passou para um outro departamento, que era uma administradora de cartões de credito. A vendedora perguntou se eu me interessava por uma cartão de credito. Eu falei que não. Ela perguntou porque e eu falei que nem eu tinha credito aprovado em lugar nenhum, e nem eu gostava de cartões de credito. Ela começou a insistir, falando que era muito bom, que eu tinha já um cadastro aprovado, que numa viagem seria ótimo, etc. eu falei que não, e que nem estava na minha cidade, estava no Rio de Janeiro. E ela falou, não há nenhum problema, nos enviamos para o local que o senhor esta hospedado em dois dias. E continuou, o senhor vai passar quantos dias no Rio? Eu respondi que uns trinta dias, pois estava gravando um CD. Ela perguntou, o senhor é musico? Sim, respondi e continuando a resposta, e como à senhora vê sou um artista desconhecido e não vou ter garantias para esse cartão. Mas a moça estava decidida a me forçar a aceitar esse cartão. E depois de uns trinta minutinhos a mais, eu falei; olha, vou ser sincero não quero, e ela insistiu mais uma vez, foi quando eu falei, ta bom, eu vou aceitar, mas vou gastar e não vou pagar a fatura. Ela riu, e perguntou meu endereço no rio, eu dei com todo prazer.
          Três dias depois, não mais de três dias, o cartão chega ao destino. Eu tinha até dado o endereço do estúdio, pois eu passava a maior parte do tempo lá mesmo. Quando vou entrando a secretaria do Pierre me chama e fala que tinha chegado uma correspondência para mim. Eu nem me lembrava mais o que era, e ela me entregou um envelope, por fora parecia ser algo insignificante, apenas um plástico branco, com um remetente que eu não tava conseguindo ligar a placa à carroceria, mas eu abri e fui me dirigindo à sala de gravação. Lá eu abri o envelope e …. Que surpresa, era uma coisa muito linda, um livrinho que explicava vários números de telefones caso eu precisasse, para perda, roubo, no Brasil no exterior, e quando vou abrindo mais coisas, lá esta ele, o cartão, lindo, plus, 24 HORAS, internacional, era a coisa mais linda que eu já tinha recebido de presente. Nesse dia nem gravei, sentei e fiquei lendo tudo que tinha de vantagens. E tinha uma orientação para assinar logo no local indicado, por segurança, pois se perdesse algum poderia assinar. Eu não tive duvida, pedi uma caneta ao Pierre, que tinha uma daquelas canetas caras e assinei no local indicado. A emoção era tão grande que a tinta nem queria sair. Pode prestar atenção, sempre que vamos assinar um cartão de crédito a caneta falha, o local é minúsculo, mas assinei lá no local indicado. E me sentiu com poder, especial, plus, máster, ouro e internacional.
          À noite saímos para jantar num desses restaurantes bons de Ipanema, e jantar com Pierre naquela épocas era sinônimo de mordomia, ele sempre pagava, e eu falei, Pi, essa conta eu pago, ele ficou surpreso e eu falei, essa é minha. E perguntei ao garçom se aceitava cartão, embora eu já tivesse lido numa plaqueta em cima da mesa que sim. Mas, eu queria ouvir do garçom. E mandei ver.
          Pela manha acordei e antes de ir ao estúdio fui para o shopping, eu desfilava pelos corredores, as vitrines ficavam chamando meu cartão, compre aqui, e outra do outro lado, aqui Ju Medeiros, o cartão começava e ficar irrequieto e a pular no meu bolso, eu num gesto de solidariedade com ele, entrei na loja e tome a comprar. Comprava o que não precisava com um dinheiro que não tinha. E falei pra mim mesmo que pararia quando o limite dissesse STOP. Mas parece que cartão novo nem tem limite, pois demorava a falar STOP.       
          Na oportunidade fui a São Paulo, e na famosa Rua Sampaio, se não me falha a memória, a rua dos músicos, onde existem quase todas as lojas de instrumentos musicais de Sampa. Entrei numa loja e pergunte se tinha uma guitarra, e dei as coordenadas para o vendedor, ele me trouxe uma coisa linda, uma guitarra com um modelo bem antigo, mas era um lançamento. Era uma estratégia da fabrica, ré lançar alguns pedais e guitarras dos anos 60, com a tecnologia atual. Perguntei ao vendedor quanto custava, e ele falou o valor e que dividiria em seis vezes no cartão. Não tive duvida, sem pensar meia vez falei para ele, pega aí o cartão, se passara eu levo. Não só levei a guitarra mas também um estojo para a mesma.
          Em uma outra loja fui pagar uma coisa e não foi mais aceito o cartão, falou, e eu perguntei com aquela cara de espanto, - Como assim? E a vendedora falou que tinha esgotado o credito. Que absurdo eu falei.
 

Poucos dias depois da data de vencimento, eu já na minha residência oficial, chega à fatura. Eu até pensei teria condições para pagar mesmo, mas por ironia do destino eu estava liso, de maneira que se jogasse um gato no meu peito, ele caía escorregando de tão liso. E não paguei a fatura na data que era para pagar. Três dias depois um telefonema.
Senhor Fulano de Tal? Eu falei sim. – aqui é da administradora do cartão de crédito falou a voz salgada e crua do outro lado. Já não era mais aquela voz doce e paciente que eu conversei no Rio de Janeiro. – Estamos ligando para avisar ao senhor que a sua fatura até o presente momento não foi pago senhor. Eu respondi na maior cara de pau, - claro, eu sei, ou a senhora pensa que eu não estou a par das minhas responsabilidades? – Sim senhor, eu sei, só estou telefonando para ver se ouve algo de errado, é claro que nós temos a maior confiança nos nossos clientes, sabemos que são pessoas de índole e muito especial para nós. – ah sim, respondi. E em o que eu poso ajuda la senhora? Gostaríamos de saber quando o senhor vai efetuar o pagamento e avisar que nos dispomos de uma condição especial de pagamentos mínimo, caso o senhor esteja passando por algum problema momentâneo. Eu falei, não estou passando por nenhum problema momentâneo senhora, (em entendo, ia começas ela a falar) e eu continuando, - como ia falando não estou passando por nenhum problema financeiro momentâneo, sou o próprio problema financeiro senhora, eu não tenho dinheiro para pagar essa fatura nem tão cedo. E por gentileza quero falar com a pessoa que me deu esse cartão quando eu estava no Rio de Janeiro. Senhor, fala a funcionaria, nos somos do departamento de cobrança, o departamento de capitação de clientes é outro. Mas eu estava querendo irritar a funcionaria, e me fazia de bobo. – mas nós conversamos tanto no Rio de Janeiro, façamos muito amigos, ela foi tão simpática, tão atraente, inteligente, meiga, chega ser até linda sem eu mesmo poder vê la. A funcionaria foi se irritando e continuou a falar que se eu não pagasse ia correr juros, etc. e eu concluí o papo falando que a partir de agora só falava com minha amiga do Rio de Janeiro. Ela desligou o telefone.
          Depois de 45 dias me liga uma pessoa com o seguinte texto: - Boa tarde, é da residência do senhor fulano de tal e tal.  O cara falou meu nome inteirinho, a ultima vez que ouvi meu nome assim foi há mais de 30 anos, minha mão me acordando para ir para o colégio. É sim, prossiga. Aqui é do escritório de advocacia Gustavo Cortes & irmãos Ltda. Que esta falando é o Fred. E eu falei, pois não, de que se trata? Gostaria de saber quando o senhor vai pagar a fatura do cartão credito que já esta em atraso a mais de 40 dias senhor. Quem esta falando? Perguntei novamente, e o advogado já meio que irritado respondeu, é o advogado Fred Moreira da Silva, e eu falei você nem é o diretor desse escritório, pois se fosse seria Fred Cortes, você deve ser estagiário né? Aí o cara pegou ar e começou um discurso assim, o senhor vai ou não vai pagar? Porque se o senhor não pagar eu vou mandar prender o senhor. Nesse momento eu já saquei que não era um advogado experiente, pois não falaria umas besteiras desse jeito e aproveitei e disse; tu prendes pôrra nenhuma seu advogado de merda. E ele já lotado de raiva ainda falou; pois eu vou aí onde o senhor esta. E eu falei, e tu tens dinheiro pra vir aqui pôrra, só à passagem é teu salário, e tu ainda vai ter que pagar a taxa de permanência que são 21 reais por dia e ainda conseguir uma pousada. Ele nem sabia que eu resido em Fernando de Noronha. E pra que você não pense que eu sou otário, fique sabendo que; tenho profissão definida, endereço residencial fixo, e nenhum vai preso por divida no Brasil, a não ser pensão familiar ou deposito judiciário, seu otário! Desliguei o telefone.
 

 

Logo que cheguei à ilha, pra dizer a verdade, depois de um ano de ilha, resolvi aprender a mergulhar com cilindro, o mergulho de garrafa como a maioria conhece e pensa que é oxigênio que tem dentro. Na realidade é ar comprimido, claro que tem um percentual de oxigênio também. Mas o oxigênio puro não é benéfico se respirar depois dos três metros de profundidade.

Mas vamos a historia; resolvi aprender a mergulhar, e toda vez que o barco da Águas Claras, (na época a única empresa de mergulho na ilha), ia para o mar levando turistas para o mergulho com cilindro, eu ia com a galera e vez ou outra pintava uma oportunidade de descer, (mergulhar) com algum amigo. Primeiro eram os turistas e se sobrasse uma garrafa cheia ou pela metade eu aproveitava e dava um mergulho. No primeiro dia fui muito legal, eu já macaco velho no mar em ter tido “experiênciado” toda minha infância e adolescência na beira mar de Olinda - PE Mas mergulhar com cilindro é outra coisa, é a possibilidade de você retornar a respirar num meio liquido, e sabe o que isso significa? Retornar as sensações uterinas. Escreverei sobre isso em outro tópico. Mas vamos lá. O segundo mergulho, “ah o segundo mergulho!”. Durante a operação com os turistas, um deles resolveu abortar o mergulho pela metade, e o Rony falou pra mim, - se equipa que vamos descer mais uma vez. Equipei-me, e esperei ele se equipar também. Minha garrafa estava pela metade. Então descemos, eu, Rony e Hayrton que também estava em curso de mergulho. O descer foi fácil, e respirar também, eu não tinha lá essas dificuldades todas, o importante era viver essa experiência para poder trabalhar com mergulho ganhar uma graninha, pois não havia outra opção para eu ganhar grana, ou cantando ou mergulhando. Em determinado momento o Rony passa por um buraco e o Hayrton segue e eu vou também seguindo. Só que como meu cilindro estava pela metade eu estava com tendência de flutuação positiva, ou seja; subindo. E ao passar pelo buraco a torneira enganchou na borda e eu fiquei sem poder ir em frente. Isso fez com que eu respirasse mais rapidamente tornando assim meus pulmões mais cheios e consequentemente mais leve meu corpo ficava e a cada vez, mas difícil de sair dessa. Pensei em tirar o colete e subir, mas graças a Deus não foi possível. Se assim o fizesse eu tinha em mente prender o ar nos pulmões e de uma vez só subir até o nível do mar, mas seria meu fim, pois o ar comprimido preso ao subir iria se expandindo e poderia estourar meus pulmões ou mesmo provocar uma embolia gasosa, e o final seria trágico. Pra frente não dava, pra trás também, gritar não era o caso, bater no cilindro com alguma coisa para fazer som e assim chamar meus amigos não adiantaria, pois não tinha ângulo. E agora? Perguntei a mi mesmo. E a resposta foi que tinha chegado a minha hora. Lembro-me que olhava o manômetro e via cada vez mais o ponteiro ir à direção da zona vermelha, é uma marcação que quer dizer que ta na hora de subir. De repente um Saberé ou Sargentinho, como queira chamar, trata se de um peixinho com listras amarelas e pretas que existem em todo nosso litoral, e muito em Noronha. Um aparece bem em frente aos meus olhos e me diz. – Cadê toda a sua tecnologia? O que você pensa agora? E eu me senti impotente diante aquele peixinho e aquele marzão. Nesse momento a gente não tem a noção de tempo – espaço. Tudo é ao mesmo tempo agora. Eu me vi criança, vi meus pais, irmãos, repensei toda a vida. Não vi nenhum túnel, luz, nem figuras do céu, essas coisas que vêem no leito de morte, eu apenas refletia muito e cheguei a acreditar que esse seria meu fim, mas é impressionante o quanto a gente não sabe um milésimo de segundo sobre o futuro. Nem mesmo ali naquela situação eu poderia afirmar que seria minha passagem, pois isso só a Deus é permitido. Eu imaginava como morrer, não queria ficar esperneando com a presença de água dentro dos pulmões, preferia inspirar e prender o ar até desmaiar. Mas isso foge ao nosso querer, pois o ato dos pulmões inspirarem e expirar se da ao fato do ar ali contido estar queimado ou não. Quando a energia do ar que inspiramos é absorvida pelo corpo os pulmões o expelem para troca de um novo ar. Mas fui me deixando ir, aceitei o fato de encerrar minha jornada ali e me sentia feliz de ser assim. Bom, o fato é que não foi dessa vez. A respiração foi ficando cadê vez mais pesada, o cilindro já estava quase vazio, e eu numa tranqüilidade absoluta, esperando a hora. Já nem me lembrava que tinha mergulhado com amigos, aliás, nem me lembrava que tinha mergulhado. E de repente, não mais que de repente eu sinto uma força me empurrando para baixo e fazendo-me sair do engasgo. Era o Rony, olhei para ele bem calmo e fiz o sinal que estava sem ar, “que é passando a mão por sobre o pescoço como quem se degola”, e ele com um outro sinal mandando me subir, “que é a mão sinalizando legal, com o polegar para cima”. Eu repetia o mesmo sinal e ele repetia o mesmo também ate chegarmos ao nível do mar. E ao tirar minha mascara de mergulho e o regulador da boca eu coloquei todo o ar que havia sobre o mar pra dentro de mim, e gritei para o Rony, Filho da Puta, eu num disse que precisava de ar pôrra!!!! E ele falou bem tranquilamente, - é que o Randal* falou que mesmo acabando o ar nos pulmões, ao subir existe uma reserva que vai expandindo, e eu queria testar isso com você. É claro que não fiquei zangado com ele, e graças ao Rony hoje eu mergulho em Noronha sem um mínimo medo de faltar ar, desde que seja mergulho de até no máximo 17 metros.

*Randal Fonseca, Um dos melhores mergulhadores do mundo, e proprietário da primeira empresa de mergulhos em Noronha.

          Recentemente colocaram na menor BR do Brasil, a de Noronha, aquelas tartaruguinhas que reduzem a velocidade. O que é uma boa idéia da PM ter pedido ao Detran. Interessante é que alguns motoristas passavam pelo acostamento para não reduzir a velocidade, logo logo o pessoal do Detran percebeu e colocou também no acostamento. Um dia eu percebi que um carro que estava à minha frente ao ir de encontro com os redutores ele desviou pelo acostamento mesmo também tendo lá os redutores de velocidade. Moral da história? Alguns seres humanos persistem no erro, pois já não era o problema do redutor se chocando com o pneu, mas sim não querer se educar.

Lembro me quando criança assisti um filme de faroeste onde um bandido arrastava o mocinho puxado por um cavalo pelas estradas de areia e pedras da cidade. Aquilo me deixou com uma dor incrível dentro de mim, e era essa a intenção do filme, tudo isso para que no final o mocinho se vingasse e assim terminava o filme. Se isso na tela grande era difícil de engolir imagine na vida real? Nossa moral esta sendo arrastada pelos bandidos em plena luz do dia, se é que esse dia tem luz. Até quando a gente vê e não podemos fazer nada? Não podemos??? Imagine se:

1 - As redes de TV arrastasse seus programas por uma semana fora do ar.

2 - Nos arrastassemos a data da declaração do Imposto de renda por um tempo indeterminado até sentirmos uma solução das autoridades

3 - Os cinemas arrastassem suas sessões por dois meses.

Bom acho que deveríamos expor as pessoas que cuidam dos Direitos Humanos aqui no Brasil mesmo e desse um microfone e deixassemos a inteligência delas nos determinar o que fazer. O interessante é que se esquecermos de colocar o cinto de segurança a multa é inevitável, existem vários olhos que exergarão isso rapidinho, por isso já o colocamos automaticamente. Porque a lei age rápida e pode tirar ponto na carteira. Porque não podermos tirar pontos dos deputados, senadores, etc. Me lembro que o Gustavo Krause quando era Ministro de Meio Ambiente mandou fazer todos os cartazes sobre o Brasil com S, para que os outros aprendessem a escrever o nome do nosso país como é na real. É meu irmão Krause, acho que do jeito que anda as coisas o Brasil volta o Z de zona total.

 

      Existem coisas que não se pode deixar de ver e conhecer em Noronha, entre elas o Bar do Duda Rei. Duda, meu amigo há mais de dez anos, desde quando ele residia na (Quixaba), umas das localidades da ilha. Hoje ele reside na Praia da Conceição e depois de muito trabalho e luta fez o seu Bar, onde toda noite de lua cheia ele faz um lual que já é parte da noite de noronha. As sextas-feira rola um rodízio de comida japonesa, altos sushis e sashimis até umas horas.